Matéria do site VESTIÁRIO ALVINEGRO (21.05.2004)


UB COMEÇA TRABALHO DE RECUPERAÇAO DE
TROFÉUS PERDIDOS NO TEMPO. UMA SAGA ALVINEGRA


O grupo Universo Botafogo recebeu, através do vice-presidente de esportes terrestres (Ricardo Braga) e do vice-geral (Mário Sérgio Pinheiro), uma árdua mas gratificante missão sobre o patrimônio de conquistas do Glorioso de General Severiano: organizar, catalogar e recuperar troféus que estavam encaixotados há anos. A tarefa coube ao pós-doutorado em museologia histórica e grande benemérito Brás Pepe, que vem dedicando seus 60 anos de vida ao clube da Estrela Solitária. O VA teve acesso a todo o acervo e conta com exclusividade, nas palavras de Pepe e de Fábio Bahiense, um dos fundadores do UB, mais esta saga alvinegra.


As lágrimas não escorreram. Mas faltou pouco. O clima foi de forte emoção, quando o grupo composto por seis pessoas, adentrou à minúscula sala de paredes descascadas pelo tempo, próxima ao ginásio. Lá, em caixas de papelão, inúmeras peças conquistadas com muito suor e luta por inúmeros atletas alvinegros, pareciam estar esperando para voltar à vida. Taças, flâmulas, troféus e algumas fotografias pareciam querer gritar ao mundo: "Nós existimos. Somos parte da vida de vocês e exigimos o nosso reconhecimento."


Até todo o trabalho estar pronto, a torcida deverá esperar cerca de um ano. Além de catalogar as peças, será preciso um trabalho de recuperação e reconstrução, pois muitas delas estão em parte destruídas. Quem começa é Pepe. "Nós estamos tentando reorganizar algo que não é novidade, pois desde 1910 há reclamos no clube do extravio de troféus. Desde 1968, que eu estou ocupando a presidência do departamento histórico e venho fazendo pesquisas com inúmeros botafoguenses. Posso dizer que a situação não é tão ruim como parece. Mas gostaria de fazer justiça ao ex-presidente Mauro Ney Palmeiro, que teve a preocupação de cuidar do acervo para evitar o sumiço. São cerca de 2.900 peças que nós vamos recuperar", afirmou.


Pepe é daqueles homens que respira Botafogo às 24 horas do dia. Ele está produzindo uma monografia intitulada "A saga dos troféus do Botafogo." Segundo ele, sua paixão pelo Glorioso de General Severiano nasceu do avô italiano, que imigrou para o Rio de Janeiro e foi torcedor do Botafogo de Regatas. "Eu tinha seis anos e estudava no Colégio Anglo-Americano, quando assistia com meu pai um encontro no colégio entre Botafogo e Flamengo pelos Jogos da Primavera. Foi quando um rapaz se aproximou de meu pai e perguntou: 'O senhor não torce?' Ao que ele respondeu: 'Eu sou botafoguense do Largo dos Leões.' Essa frase ficou na minha memória e eu prezo essa genealogia alvinegra. Ser botafoguense é um sentimento inexplicável, porque além de ser algo orgânico, existe uma paixão que somente nós, os botafoguenses, somos capazes de compreender", disse.


Precursor no movimento de ajuda e solidariedade ao coordenador das divisões de base Carlos Alberto Lancetta, pela recuperação do Centro de Treinamento de Marechal Hermes, e membro fundador do Universo Botafogo, o engenheiro civil Fábio Bahiense fala em amor. "O que faz o Botafogo são suas conquistas. Por isso, nos sentimos honrados pela oportunidade de ressurgir essa história. É um privilégio para nós, colocar esse nosso amor a serviço do Botafogo. Há anos que o Pepe vem falando desse acervo e nós resolvemos encampar essa luta para a nossa torcida", afirmou.


Fábio tentou. Mas não conseguiu esconder a emoção ao falar do acervo: "Isso aqui é a história de um clube reconhecido mundialmente. Nós estamos honrados em fazer esse trabalho e o fazemos por amor ao clube e pelo seu patrimônio."
Todos sabem que Fábio Bahiense esteve ligado à chapa derrotada nas eleições de dezembro de 2002. Mas o tempo passou e hoje, ele parece que segue à risca o ditado que o tempo se encarrega de fazer ver aos homens a sabedoria.


"Fomos oposição ao nome de Bebeto de Freitas. Mas hoje isso acabou. Nós estamos engajados nesse trabalho por amor ao clube. Podemos ter nossas divergências, mas quando o assunto é Botafogo, deixamos tudo de lado. Nossa missão é resgatar todo esse patrimônio. Acima de tudo, somos botafoguenses e não estamos interessados em política."